Rapa Nui: Uma lição de insustentabilidade para o mundo

A ilha de Rapa Nui, mais conhecida como a Ilha da Pascoa, representa um claro exemplo sobre a inadequada administração dos recursos naturais. Claro, a complexidade do planeta é maior, mas não devemos esquecer a lição do que se passou na Ilha da Pascoa.

Façamos uma breve viagem no tempo e no espaço. Imaginemos que está ali a ilha e a preparar-se para enfrentar as dificuldades que se avizinham. Pensem que são os seus habitantes. Talvez mesmo, para os que acreditam, que nas suas vidas passadas viveram mesmo lá.

Os habitantes originários da ilha eram polinésios que chegaram entre o ano 400 e 800 d.C. As provas existentes em grãos de pólen encontrados demonstram que os colonizadores chegaram a uma ilha com bosques abundantes (diversas variedades de palmeiras e coníferas, entre outras espécies).

À medida que a população começava a crescer, o uso da terra para a agricultura aumentava. O consumo de lenha aumentou, o corte de árvores foi aumentando para fabricar as ferramentas que usavam para construir e mover as estátuas dos moais.

Ossos de golfinho encontrados na ilha sugerem que os habitantes construíam grandes canoas para poderem transportar o alimento, pelo que isso ainda requeria mais consumo de madeira. Quando já não se encontraram ossos de golfinhos, pensa-se que já não havia madeira suficiente para construção de mais canoas.

No ano de 1600 d.C. a população alcançou o apogeu chegando aproximadamente aos 9 mil habitantes. Ao mesmo tempo, já não havia árvores; e sem raízes, a terra não podia conter a agua. A erosão do solo era um problema para a agricultura.

Na falta de árvores, a sobre-exploração e o esgotamento do solo levaram à perda das colheitas. Começa um período de fome; o abismo entre a classe governante e a trabalhadora aumenta. Em 1678, ouve uma súbita revolta dos trabalhadores na qual a classe governante foi virtualmente assassinada.

Começou um período de anarquia, no qual a população se dividiu em duas grandes facções que começaram a lutar entre si. A fome e as enfermidades começaram a ser pandémicas. Sem árvores ninguém podia escapar da ilha, pois não era possível construir canoas.

Até ao ano de 1700 d.C. a população havia diminuído até aos 2 mil habitantes. Em inícios de 1800 d.C., intensificou-se o contacto com outras civilizações. Mas a escravidão e a doença fizeram as suas vítimas. Em 1872 d.C. apenas restavam 111 indígenas.

Rapa Nui tornou-se numa província do Chile em 1888. Em 1995 foi declarada Património da Humanidade. Com o intuito de preservar a historia da ilha, foram levantadas as cabeças dos moais que haviam sido derrubadas durante o período de conflito entre os povoadores.

A lição da Ilha da Pascoa é clara: quando uma sociedade falha em cuidar e respeitar o meio ambiente que a sustem, quando a população cresce mais que a capacidade da terra e da agua para dar alimento para todos, e quando a disparidade entre ricos e pobres aumenta, o resultado pode ser catastrófico.

Existem semelhanças entre a Ilha da Pascoa e a “ilha” a que chamamos Planeta Terra? Da mesma forma que a Ilha da Pascoa, a Terra também conta com recursos limitados para suster as sociedades e as suas necessidades. A divisão que existiu na ilha de Rapa Nui pode-se comparar à actual divisão entre países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento.

Se consumimos mais do que a terra pode produzir, talvez cheguemos a um ponto a partir do qual não será possível regenerar o ecossistema. Por isso é importante alertar para o cuidado do meio ambiente.

Foto: bugbog

Um comentário

  1. Edson Maio 3, 2013

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