Inteligência sobre e sob rodas

Um dos desafios colocados à ciência para o futuro, consiste em tentar reduzir drasticamente o número de acidentes rodoviários. Tornar mais seguras as nossas deslocações nas estradas torna-se uma das prioridades dos governos, instituições e empresas, que já há algum tempo promovem e incentivam em todo o mundo a investigação de vários tipos de sistemas para atingir este objectivo.

Falar de sistemas inteligentes nos veículos já se tornou banal hoje em dia. A maioria conhece já termos como sensores, câmaras, sistemas de comunicação por radio, Internet, GPS, codificação de dados e imagens, controle dos pneumáticos, injecção, amortecimento. Aparecem em cada vez mais veículos com sistemas de assistência nas manobras de aparcamento; luzes que se adaptam automaticamente às condições de visibilidade; reguladores de velocidade; controles de distancia; medidores das condições atmosféricas; sensores de impressões digitais; interfaces capazes de integrar num só comando todos os dispositivos de comunicação de um veículo… existem mesmo protótipos de carros “sensíveis”, capazes de saudar o seu condutor e de tomar os seus sinais vitais e emocionais enquanto conduz e de o ensinar a melhorar a sua condução, e inclusivamente robots que podem conduzir. De qualquer maneira os investigadores calculam que não acontecerá antes de 2020 ou 2030 a generalização de veículos robotizados capazes de, não apenas reagir ao ambiente envolvente, mas também de o compreender e de ser capaz de antecipar-se às circunstancias.

Mas a inteligência artificial não está apenas sobre as rodas. Também debaixo delas já se desenvolvem sistemas inovadores. Existem em varias cidades norte-americanas carris para automóveis ligados à Internet, graças aos quais os carros se podem conduzir sozinhos mediante sensores, mapas digitais e sofisticados equipamentos tecnológicos de seguimento da posição do carro por satélite que permitem que o condutor se possa deslocar sem fazer nenhum movimento, ainda que novas vias de investigação estejam a desenvolver a possibilidade de criar “estradas inteligentes” à base de painéis solares super-resistentes. Assim, o asfalto seria substituído por “estradas de cristal” sobre as quais se poderia circular como se se tratasse de um gigantesco jogo de vídeo. Cada um destes painéis, com cerca de 16 metros quadrados, permitiria produzir 7,6 quilowatts de energia por dia, permitindo também a recarga em qualquer ponto dos automóveis eléctricos, e poderiam mesmo incluir um “sistema de aquecimento” capaz de derreter a neve durante o inverno.

Tão pouco a sinalização vertical seria necessária, pois incorporaria lâmpadas LED que “desenhariam” as linhas da estrada e as necessárias sinalizações, e contariam com sensores capazes de reconhecer pelo peso se haverá algum animal, uma pessoa ou outro veículo no caminho, indicando ao condutor quando travar ou desacelerar. Em principio, estes painéis poderiam ser testados em parques de estacionamento, embora tenham um inconveniente: cada um deles custaria cerca de 10.000 dólares, o que significa demasiados custos, talvez tornando mesmo inviável este projecto. Contudo, para os directores da empresa americana “Solar Roadways”, que desenvolve à alguns anos vários protótipos, os benefícios a longo prazo seriam muito maiores do que os gastos, e largamente compensatórios…

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