Escassez de água: realidade ou ficção?

A escassez de água, pode não ser tão real como se tenta muitas vezes querer fazer parecer.

A problemática da falta de água é realmente um tema deveras interessante. Neste artigo vamos concentrar-nos unicamente no conceito de “escassez de água”.

 

O discurso da escassez de água

Já há algum tempo que existe um “discurso da escassez”. Usamos aqui a palavra “discurso” como forma de marcar claramente uma posição em relação a uma mensagem deliberada e não uma simples e inocente descrição da realidade.

A informação que normalmente circula em relação ao “stock” de água potável diz o seguinte:

  • O planeta Terra tem ¾ partes de água.
  • Destes ¾ de água, 97% são oceanos, pelo que esta água devido a ser salgada, não serve para o consumo humano.
  • Ficam então uns 3% de água doce, mas 2/3 estão no estado sólido (glaciares e gelo dos pólos), logo não estão disponíveis para o consumo humano
  • No final desta equação o resultado é haver menos de 1% de água potável disponível para consumo em relação ao total de água existente no planeta.

Este é o alinhamento do discurso da escassez, feito de tal forma que, no final, o caro leitor já deve estar com sede. No entanto, não devemos tomar como um dado científico adquirido qualquer estatística, pois existem ainda uma série de erros básicos do próprio ponto de vista científico nestes números.

 

A disponibilidade de água

Se estes números não são de todo correctos, é porque existem ainda outros factores em falta na equação. O principal facto a ter em conta é que a água doce do nosso planeta provém em grande parte do ciclo da água, na sua maioria em resultado da evaporação dos mares e oceanos.

 

água

Vejamos alguns dados a esse respeito:

  • Aproximadamente 505.000 Km3 evaporam-se anualmente dos oceanos, mares (isto equivale a uma camada com 1,4 metros de espessura na superfície dos mares e oceanos).
  • Embora estas fontes sejam de água salgada, o sal não se transmite na evaporação.
  • Desses 505.000 Km3, 80% voltam a cair sobre os oceanos e mares, mas os outros 20% caem sobre a superfície continental.
  • E das chuvas que caem sobre os continentes, cerca de ¾ evapora-se a partir de lagos, lagoas, rios, solos e plantas (evapotranspiração). Os restantes ¼ correm novamente para o mar.

Este ciclo e estes níveis têm-se mantido estáveis desde a última idade do gelo. Ou seja, a quantidade de água disponível não tem variado significativamente nos últimos 12.000 a 18.000 anos.

Pelo contrário, a quantidade de água potável disponível não só não diminuiu, como poderá mesmo estar a aumentar, em consequência do derretimento do gelo das calotas polares e glaciares devido ao aquecimento global, embora isto pareça um paradoxo…

A questão então parece ser que a água potável não será assim tão escassa a nível global. Não obstante, segundo dados da ONU, cerca de 3.000 milhões de pessoas não tem acesso a ela. O que nos deixa a pensar que a questão não é “existe ou não água potável suficiente para todos?”, mas sim “quem a controla?”, e “onde é usada?”.

Questões muito pertinentes e interessantes de discutir, num momento em que no nosso país se fala cada vez mais em privatizações de empresas de fornecimento de água ao domicílio e dos vencimentos astronómicos de administradores da EPAL.

Pessoalmente penso que a água não deve ser nunca transformada num negócio, pois não se deve negar “um copo de água” a ninguém.

Só espero que quando as pessoas acordarem para este problema, já não seja demasiado tarde.

E o caro leitor o que pensa do suposto problema da escassez de água?

Créditos da imagem: Wikipédia

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