Desvirtualização

Quando começou o boom dos chats, das redes sociais e das comunicações através da Internet, muitos de nós tinham a sensação de que aquela pessoa com que comunicávamos, e que nos dizia ser aquela loura sexy e descomprometida, por exemplo, poderia tratar-se na realidade de outra pessoa completamente diferente do que dizia ser.

Dar o passo e comprovar como seria essa pessoa, já seria mais complicado, como se ressoasse na nossa cabeça esse eco de “não fales com desconhecidos”.

Mas as tendências mudam e se antes conhecíamos alguém e lhe dávamos os nossos contactos, agora sucede frequentemente o inverso.

Primeiro conhecemos alguém virtualmente, ligamo-nos com ele ou ela através das várias plataformas antes que se produza o que conhecemos como “desvirtualização”, esse momento a partir do qual o avatar ganha vida e colocamos um rosto a uma amizade ou a um contacto profissional com o qual apenas mantínhamos relação através da rede.

Talvez ainda sejam os utilizador do Twitter os mais conhecidos pela quantidade de eventos que lhes possibilitam esta desvirtualização, mas há que também mencionar os utilizadores de fóruns e de redes sociais com interesses particulares que também se reúnem com alguma assiduidade.

Até poderia parecer que a Internet nos distanciaria das relações humanas, mantendo-nos numa bolha onde passaríamos horas mortas sem outras relações, para além daquelas com nós próprios e com o nosso teclado e monitor.

Sem dúvida que cada dia que passa, passamos mais horas nas redes sociais e em páginas que têm por base as relações sociais, em escutar e ser escutado, em contar aos quatro ventos tudo o que se faz, com quem e como, dando a possibilidade ao resto do mundo de nos poder responder.

Nunca como agora fazem tanto sentido as palavras comunico, logo existo. Não sei se serão os nossos instintos que nos impulsionam a conhecer as pessoas que estão por detrás de um perfil de Twitter, ou de Facebook, se é por interesse ou curiosidade. Apenas sei que graças a estes grupos, as relações humanas estão a tornar-se cada vez mais humanas e mais reais.

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